segunda-feira, 30 de novembro de 2020

pensamentos

Como montar uma carreira? 
Souza Lima parece as vezes ser feita apenas por homens, por pessoas que não se expressam. Instrumentistas. Não artistas 

Como eu descubro a minha voz? 
Achava que precisava aprender a cantar. Que engano. Preciso aprender a descobrir minha voz, meu estilo, meu timbre. 
Você é sua desde o momentos de ouvir folk na redencao
Desde os momentos de aprender artista de rua. 
De brilhar os olhos de uma sonhadora

entrar no avião

Você tenta ignorar toda a sua história porque assim você consegue entrar no seu avião. 

Você é sua desde o momentos de ouvir folk na redencao
Desde os momentos de aprender artista de rua. 
De brilhar os olhos de uma sonhadora

analgésicos

Você toma analgésicos como pessoas
E o tempo passa numa cascata
Porque você está anestesiada 
Pelo seu medo de ficar sozinha
Usando o mágico poder 
Da carência

eu sou quem queima e quem quebra

pagamentos de conta

2020. Foi um ano difícil. Foi um ano de reviravolta, de pagamento de Contas no sentido emocional. Acúmulo de uma vida. Me encontrei com o meu pai pela segunda vez. E moramos juntos. De um jeito que nunca moramos, depois de 11 anos. Tendo que encontrar minha história. Meus traumas. Meus analgésicos, com outros relacionamentos. Que na verdade só buscam um pai. 2020 ta acontecendo. É um momento horrível o que estamos passando como humanidade. Mas precisamos tirar disso algo novo. Um renascimento. Precisamos nos voltar para nós mesmos. Pois criamos uma crise capitalista-institucional da nossa sociedade. A sociedade mais industrializada esta sendo morta pelo invisível. E pra isso precisamos de conexao. Estamos Há muito tempo desconectados.... 
Tratamos todo e qualquer acontecimento coko normal. Perdemos nosso sentido de reação, de sentir, de cheirar. Somos (a) sentimentais. Pelo nosso cotidiano. E percebo que mesmo na arte, na faculdade de música Há esse sentimento. De assentimentalismo. 

lugar que te maltrata

Nunca volte para o lugar que te maltratou
Eu lembro que ele ficava regulando o quanto eu comia de chocolate. O quanto eu comprava de chocolate. Quando eu queria comer hambúrguer ou mcdonalds. Ele chegava a apertar as minhas dobrinhas do corpo e chamar de hamburguinho, por mais que eu pedisse milhares de vezes pra parar. Ele fazia eu me sentir como se tivesse engordando, e mais cheinha, e como isso fosse algo negativo. No fim das contas ele nunca quis um corpo de mulher. Pedia sempre para eu me depilar, e se eu não me depilasse ele não me chupava. Mas eu tinha que engolir. Quando estava menstruada nunca podíamos fazer sexo, porque sangue apavorava. Enfim. Umas das milhares e milhares de vezes que me senti menor em relação a ele. E hoje estando em uma outra relação percebo a diferença de ser tratada como alguém amada. As vezes nos submetemos a alguma situação, por achar que não existe nenhuma outra diferente. "Todos meus amigos brocham com sangue menstrual" E assim fui acreditando... 
Você só parou de ver porno por conta da sua própria performance. Era sempre isso que você estava preocupado. E frustrado do jeito que é, me colocava para baixo. 
O ápice chegou uma vez quando estávamos no shopping e ele comentou comigo como se sentia ofendido quando eu compartilhava todas essas coisas feministas. Porque ele achava que estava se dizendo a respeito a ele. Nesse momento eu fiquei receosa de ser quem eu era, repensei duas vezes antes de me aprofundar sobre um tema que tanto me liberta. 
Eu escrevo isso porque é uma forma de descobrir os lugares que eu me coloco. E porque não tenho mais medo. Estou me descobrindo. Quando sai da família abusiva que tinha em Porto Alegre eu comentei sobre isso, sobre como eu sofri com a violência, e lá veio um membro familiar dizendo para eu não expor. Eu vou expor. Enquanto eu souber que pode existir alguém solitária como eu, sem saber se o que acontece é "normal" Ou não